quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Alter do Chão

Um paraíso gigante

Alter do Chão

“Gigante pela própria natureza,” foi assim que eu vi e compreendi o norte do Brasil ou essa região da Amazônia. Santarém foi além do que eu esperava encontrar.  Nesta região já existiu o maior povoamento da terra em períodos pre-coloniais. Passa por aqui o rio com o maior volume de água do planeta. A maior floresta do mundo. A Ilha do Amor é a praia de água doce mais linda do mundo, segundo o jornal The Guardian e o aquífero Alter do Chão é o maior da terra. 

Alter do Chão (altar elevado) é um distrito de Santarém. fundado em 1626. Um paraíso em frente à praia da Ilha do Amor. As margens do Rio Tapajós. Cercado pelo Lago Verde e observado pela serra Ibitira Piroca, com uma trilha de 2 km que leva ao alto do moro de onde se tem uma visão geral e um nascer ou por-do-sol fenomenal.  Tem na região muitos passeios. Visita de canoa à floresta encantada e muitas praias de areia branca e finas, nas águas cristalinas do rio Tapajós. 

O aquífero Alter do Chão, o maior do mundo em volume de água doce subterrâneo. Com no mínimo 86 mil km³, podendo chegar a mais de 1 milhão de km³, se estende do Amazonas ao Amapá, passando pelo Pará. Com capacidade para abastecer toda a humanidade por 250 anos. Uma reserva de valor inestimável. 

O povo Borari, povo originário da região de Alter do Chão, se faz presente na maior parte da sociedade. Alguns miscigenados e tantos outros forasteiros entre os residentes. Existe também centro de apoios e órgãos de proteção às tribos originárias. Uma população fantástica pelo que vi e senti. Empresários, empreendedores e inovadores membros do povo Borari. Existe uma celeuma que resiste. A missão jesuítica dividiu o povo Borari. Os que se adaptaram, permaneceram e os que resistiram, partiram e hoje habitam uma aldeia na região do rio Maró, mantendo as tradições originais do povo Borari. 

Eu conheço a história do catolicismo e as razões das missões. Se hoje ainda é muito lindo não é preciso ninguém me catequizar ou convencer, eu consigo imaginar, mesmo que Deus nunca tinha pisado, ali era o paraíso. A maior floresta, oxigênio, agua limpa  e muito peixe e distância de tudo o que não presta. Hoje ainda resta muita coisa linda por lá. É um paraíso que vai se popularizando e assim criando demanda, ocupando e sufocando. Que a sabedoria ancestral do povo Borari, possa impedir a doença capitalista que aflora no lucro, ganância… fazendo sucumbir esse Altar Elevado dos Encantados.

Paulo Ademir Braun

Sou colunista e cronista. Escrevo sobre memória, cultura e a vida na fronteira do Sul. Publico também no portal Mídia Sudoeste.

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